Conheci o Domingos Ribeiro antes do 25 de Abril de 74, no acaso da resistência ao fascismo, algures nas reuniões da então Oposição Democrática do Distrito de Braga.
Era um homem dado a discussões, às vezes
truculentas, sobretudo quando o
interlocutor rebatia as suas declarações. Mas era um homem leal.
Mais tarde fui-me cruzando com ele nas reuniões públicas da Câmara, onde ele marcava sempre presença acompanhando os seus
correligionários e os adversários, atento aos problemas da terra que amava sinceramente.
Depois tive-o a meu lado na Vereação, na Câmara presidida por António Xavier/PSD e confirmei o mesmo
voluntarismo, a mesma paixão por Guimarães e uma dedicação sem limites à causa da cidade. Superava em esforço as menores habilitações académicas ou
profissionais e nunca se inibiu de intervir, para
gáudio de alguns dos que lhe apontavam as palavras deformadas que usava, ou as figuras de estilo a que recorria Tudo nele era natural e sem complexos.
Perdida a Câmara para o PS, o Domingos
Rabiços, como carinhosamente era conhecido, rumou a Esposende, servindo o seu partido.
Fomos-nos vendo espaçadamente.
Quando nos encontrávamos não trocávamos palavras de
circunstância: entre nós germinou uma amizade sólida e sincera, assente no respeito mútuo e no amor comum à nossa terra.
O Sr. Domingos
Rabiços deixou-nos. Até logo, Sr. Domingos.